Marcas chinesas perdem mercado no Brasil e mudam seu foco

05 de Dezembro de 2016 às 08:00
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Todos imaginavam em 2011 que a invasão de carros chineses no Brasil seria igual ao que acompanhamos com o mercado de eletrônicos. As marcas chegaram ao país com a promessa de veículos baratos e completos, ao contrário do que encontrávamos com os carros nacionais.

Mas com mudanças de mercado ao longo dos últimos 5 anos, os chineses já não podem mais apostar suas fichas todas nos segmentos populares de entrada. O maior foco dos fabricantes tem passado a ser nos modelos mais caros, principalmente na categoria dos SUV’s.

Com exceção da Chery, que tem o QQ como veículo mais vendido da marca, as demais fabricantes apostam fortemente no segmento dos SUVs e tem modelos dessa categoria como seu carro chefe (JAC com o modelo T5, e Lifan com o X60, são exemplos).

Entender essa mudança de foco é simples: As vendas das marcas chinesas passavam por constantes quedas, e por outro lado, o mercado de SUVs se encontra cada vez mais aquecido. Nada mais normal do que as marcas focassem suas vendas nos veículos dessa categoria, pois apesar das vendas estarem em grande ascensão, não existe uma competição tão acirrada e com tantos modelos como no mercado de sedãs, compactos, etc.

Para se ter ideia dessa retração nas vendas, pode-se analisar o reflexo das fabricantes pela participação do Salão do Automóvel de São Paulo. Em 2010, 9 marcas participaram do Salão. Em 2016, apenas 2 dessas marcas participaram novamente, sendo a Chery e a Lifan.

Segundo declaração do presidente da JAC Motors no Brasil, Sérgio Habib, a participação das marcas no Salão do Automóvel como forma de apresentação de novos modelos ao mercado, já não se faz mais necessária. A imprensa tem desempenhado muito bem esse papel, o que pode garantir uma boa economia de investimentos.

A Geely, por exemplo, sentiu tanto essa retração que deixou de vencer veículos da marca no país. Das 14 concessionárias, apenas 9 continuam abertas, mas somente para prestar assistência de garantia e manutenção.

Outro grande motivo que levou à esse declínio das vendas foi o “superimposto” criado pelo governo brasileiro em 2011 como forma de proteger o mercado interno, ante ao grande número de vendas dos chineses. Esse “superimposto” foi criado como um acréscimo de 30% sobre o IPI em relação ao que é cobrado nos carros produzidos no Mercosul e México (que escapam dessa cobrança). Além desse “super IPI”, ainda existe a cobrança de 35% de taxa de importação.

Antes do início dessas cobranças, Chery e JAC haviam anunciado implantação de fábricas no país, mas no final das contas somente a Chery acabou por concretizar esse plano (fábrica em Jacareí-SP). Com isso, ela entrou no plano Inovar Auto, que é um conjunto de regras e benefícios fiscais para incentivo da produção no país.

A Chery, que tem uma fábrica com capacidade para produção de 150 mil carros por ano, está  parada desde julho, para readequação da sua linha de montagem (deve voltar em 2017, com a produção do Tiggo 2 e Arrizo 5, além da possibilidade do Tiggo 7). Também se pretende até 2018 ter uma rede de concessionárias ampliada de 37 para 100, e participação de mercado que passe dos atuais 0,3% para até 1%

Já a JAC, que estava planejando sua fábrica em Camaçari-BA, a qual chegou a ter o terreno arrendado, acabou por desistir dos planos iniciais de produzir 100 mil carros por ano no país, passando a planejar produção futura de 20 mil carros anos em regime CKD (carros chegam em caixas e são somente montados no país).

Como existe uma limitação de cota que limita em importação anual de 4,8 mil unidades de veículos por ano sem que haja aumento nas taxas de IPI, as fabricantes têm planejado e focado nos modelos que mais tenham atraído o público brasileiro (no caso, os SUVs). Segundo os fabricantes, essa preferência se enquadra na mesma mudança vista no mercado chinês.

Outro ponto que tem atrapalhado as vendas no país tem sido o preconceito e nível de rejeição das marcas, mas pontos que estão diminuindo segundo últimas análises. Os veículos chineses têm passado a ser uma opção frente aos concorrentes.

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Fonte: g1.globo.com/autoesporte

Foto: Flavio Moraes e Alan Morici/G1
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