Sedãs se mostram mais eficientes que hatchs no consumo em estrada

08 de Dezembro de 2016 às 08:00
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Todos geralmente imaginam que um carro mais pesado irá gastar mais combustível que um mais leve. Esse pensamento, em partes, está certo. Mas nem só o peso irá afetar o consumo de combustível de um carro. O que poucos imaginam é que sedãs podem ser mais econômicos que hatchs, apesar do peso extra que carregam, e essa economia é vista principalmente em trajetos de estrada.

E a explicação básica para esses resultados está num conceito que nem todos acabam dando atenção, mas que na parte de projeto de um carro é muito importante: a aerodinâmica.

Apesar da influência da forma dianteira do veículo, onde é a área de maior impacto com o ar, a parte traseira acaba por se tornar mais importante pois é onde o ar irá parar de ter contato com a carroceria do veículo.

Ao “cortar o ar”, a carroceria dos automóveis criam uma colagem da camada de ar por sobre a carroceria, tal qual a asa de um avião. Quanto mais lisa a carroceria, com menos áreas de impacto, melhor será a aerodinâmica. Mas na traseira, acontece um outro ponto importante para a aerodinâmica. Os hatchs possuem um caimento da traseira mais abrupto em direção ao solo, o que causa a geração de turbulência na traseira do veículo, e consequentemente, uma maior zona de arrasto. O arrasto nada mais é do que a força do ar contrária à do movimento do veículo, a força que tende a “segurar” o movimento para frente.

Nos veículos sedãs, que possuem um volume a mais por conta da traseira, esse ar é escoado de uma forma mais suave, gerando uma turbulência significativamente menor e consequentemente um arrasto muito inferior.

Vejamos essa diferença pelas imagens geradas em túnel de vento, em dois carros: um hatch e um sedã. Nota-se a turbulência gerada nas “linhas de vento” na traseira do hatch, enquanto no sedã elas percorrem com maior fluidez.

Um dos testes realizados para verificar o impacto do arrasto no automóvel, além do túnel de vento, é leva-lo a 100 km/h em uma pista de testes plana (sem interferência de ventos ou outra condição climática), e força-lo à desaceleração natural (sem interferência de freio ou motor), até sua parada completa. A distância que o veículo leva até chegar aos 0 km/h determina o quão eficiente é sua aerodinâmica.

Para podermos ilustrar de forma mais simples o resultado gerado no consumo dos veículos, vamos colocar o exemplo dos irmãos Gol e Voyage, utilizando o mesmo motor 3 cilindros 1.0 que desenvolve 75 cv quando abastecido com gasolina e 82 cv quando abastecido com etanol. Os dois carros utilizam também a mesma plataforma, e a diferença mais significativa está no peso dos dois veículos: Gol pesa 901 kg e o Voyage 947 kg.

Segundo a etiquetagem do Inmetro realizada após testes de eficiência utilizando gasolina, o Gol em condições de estrada conseguiu atingir uma média de consumo de 14,5 km/l, enquanto o Voyage chegou aos 15,4 km/l. Já no consumo urbano, os dois veículos atingiram uma média de 12,9 km/l (aqui a aerodinâmica quase não interfere visto que a velocidade média é baixa, assim como o peso extra de 46 kg se mostra insignificante).

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Outro exemplo podemos ver com o Onix e Prisma 1.0. Nos testes realizados quando abastecido com etanol, o Onix conseguiu consumos de 8,8 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada, enquanto seu irmão com porta-malas avantajado conseguiu as marcas de 8,9 km/l e 10,8 km/l respectivamente.

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Portanto, se estava pensando em deixar de comprar aquele carro sedã pra poder levar a família pra viajar com mais conforto somente por conta do pensamento que “irá consumir mais combustível, melhor levar o menor”, deixe de lado esse pensamento e faça a opção correta!

Fonte: Webmotors / revistaautoesporte.globo.com

Foto: Blog Gedore / VW/Divulgação / Chevrolet/Divulgação

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