Produção de veículos recuou 11% em 2016, voltando a níveis de 2004

16 de Janeiro de 2017 às 08:00
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Com o fechamento dos número de 2016, o Brasil tem pelo 3º ano consecutivo queda na produção de veículos (contando carros, comerciais leves, caminhões e ônibus), chegando aos níveis encontrados no ano de 2004.

Em relação à 2015, a produção de 2016 registrou uma queda de 11,2%. Em 2015, as produções atingiram 2,43 milhões de unidades, enquanto 2016 o número registrado 2,15 milhões, número muito próximo dos 2,12 milhões registrados em 2004 no país.

Na atualidade, a ociosidade na indústria automotiva brasileira é de 52%, o que significa que as fábricas estão produzindo cerca de metade da sua capacidade. Se focarmos somente nas fabricantes de caminhões, a ociosidade chega a 70%, de acordo com a Anfavea. O setor de caminhões teve uma queda de 18,2%, chegando a patamares parecidos com 1999.

A previsão da Anfavea para 2016 era um recuo de apenas 5,5%, marca que não foi atingida por vários motivos, sendo um deles a paralisação de cerca de 1 mês da fábrica da Volkswagen, em meio a disputas com fornecedores.

Para 2017, a associação espera um crescimento de 11,9% na produção em relação a 2016, contando principalmente com uma retomada significativa do segmento de veículos pesados no país.

Veja abaixo o infográfico do G1 com relação aos níveis de produção dos últimos 10 anos:

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Como não houve reação do mercado interno, a maior parte dos fabricantes focaram em vendas de exportação. Houve um aumento de 24,7% nas produções focadas ao exterior em relação a 2015, o que significa um total de 520 mil unidades produzidas. Desse total, cerca de 380 mil unidades foram destinadas a Argentina.

Esse volume de vendas é considerado o maior desde 2013, quando foi atingido o número de 565 mil unidades no Brasil. O recorde anual é de 2005, quando foram produzidos 724 mil unidades para exportação.

Segundo Antonio Megale, presidente da Anfavea, esse aumento na produção para exportação é reflexo de esforços do atual governo em melhorar e ampliar acordos comerciais com outros países.

Outro reflexo dessa crise no segmento industrial automotivo foram as sequenciais demissões por parte das fábricas. Atualmente, as fábricas contabilizam 121 mil empregos diretos (números do final de 2016), o que significa que 9,3 mil postos de trabalho foram fechados (menor número de trabalhadores empregados desde 2007).

Além disso, cerca de 9 mil trabalhadores também estão com alguma restrição em jornada de trabalho, seja por suspensão de contrato ou redução de cargas horárias e salários. O presidente da Anfavea espera que mudanças que possam vir nas leis trabalhistas em 2017 ajudem a melhorar esse quadro.

Fonte: g1.globo.com/autoesporte
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