Como escapar de usados com quilometragem adulterada

24 de Janeiro de 2017 às 08:00
screen-3=x800
COMPARTILHAR

Você procura o carro ideal, no modelo e ano que estava procurando. O preço parece estar bom, dentro da faixa do mercado. O estado de conservação também parece bom, boa quilometragem rodada. Mas aí na hora de fechar a compra bate aquela dúvida: a quilometragem do carro é original ou foi adulterada?

Veja abaixo algumas dicas para tentar descobrir se a quilometragem do carro é real ou não:

  1. Manual do proprietário: Peça sempre o manual do proprietário na hora da compra. Infelizmente muitos proprietários são descuidados e acabam perdendo o manual ao longo do tempo (principalmente se o carro já saiu da garantia). Já outros escondem propositalmente. No manual irá constar a concessionária onde o veículo foi comprado, se todas as revisões para manutenção da garantia foram feitas corretamente e no prazo. A quilometragem anotada na última revisão (assim como a data) pode mostrar se o hodômetro está dentro da realidade para a idade do veículo ou não.
  2. Verifique os pneus: Eles podem dizer muito sobre o carro. Um pneu rodará no mínimo 30 mil km (claro que isso irá variar de acordo com fabricante e modelo do pneu, assim como a forma de uso do proprietário do veículo). Portanto, verifique na sua borda a data de fabricação para ver se está próxima da data de fabricação do carro, assim como verifique se todos os pneus são iguais. Um carro com menos de 30 mil km, que já tenha os 4 pneus trocados, pode ser um sinal de alerta. Únicas ressalvas para uma troca feita antes dessa km seriam para veículos esportivos, ou no caso da troca do conjunto de rodas por outra dimensão (aí, óbvio, todos pneus serão trocados junto).
  3. Desgaste de peças internas: Verifique internamente se há desgaste nos pedais, manopla de câmbio e volante do carro. Essas peças costumam demonstrar desgaste por uso geralmente depois dos 80 mil km. Os bancos também podem demonstrar o tempo de uso pelo desgaste maior no tecido ou costuras, ou perda da densidade da sua espuma. Carros populares são uma das exceções com relação ao volante e manopla, pois geralmente possuem acabamento mais simples e muito mais frágil, apresentando desgaste com maior facilidade.
  4. Desgaste de peças externas: Analisando as caixas de roda, veja o estado dos amortecedores e discos de freio. Essas peças costumam durar pelo menos uns 40 a 60 mil km (também dependendo do modelo do carro e forma de uso). Fique de olho também no estado da embreagem (se está patinando, muito pesada, pedal muito alto ou apresentando barulhos).
  5. Histórico do veículo: Hoje existem várias plataformas de consulta aos dados gerais do veículo, sendo essas plataformas ligadas aos DETRAN’s e bases de dados de seguradoras. Além de fazer uma consulta sobre sinistros que possam vir a ter acontecido com o veículo, você pode ter uma base da km real do veículo pois quando a seguradora realiza vistoria para segurar o veículo, a km é gravada no sistema interno deles.
  6. Levar o carro em uma concessionária ou oficina especializada: Com o scanner ligado à central do veículo, muitas vezes é possível descobrir se a km do painel foi adulterada. Na maioria das vezes a km foi modificada somente no painel, o que facilita descobrir adulterações. Veículos mais novos armazenam a km no painel, e também na central do veículo. Retirar o painel de instrumentos do lugar para ver se há arranhões externamente ou se os lacres estão rompidos é uma boa forma de se descobrir se já pode ter sido mexido na km do carro.

Caso você descubra que a km do seu carro foi alterada, o vendedor pode ser enquadrado no crime de estelionato, ou no Artigo 66 da Lei nº 8.078/1990 do Código de Defesa do Consumidor, como afirmação falsa ou enganosa, ou omissão de informação relevante sobre natureza, característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços.

Esses crimes podem dar pena de 3 meses a 1 ano de prisão, além de multa. O caso deve ser denunciado na delegacia, que fará investigação e análise do carro em perícia para confirmar a adulteração, e assim o comprador poder entrar com ação para reparação de danos na Justiça.

Mas lembre-se: nem sempre um carro com baixa quilometragem é sinal de uma boa compra. Muitas vezes vale mais a pena um veículo mais rodado, mas com revisões e manutenções feitas corretamente, todas no prazo, e que possam ser comprovadas, do que um veículo comprovadamente com baixa km mas que não tenha registro das manutenções e suas datas. A grande importância no caso está em poder saber exatamente a km do carro e as datas de revisão, para que se possa continuar fazendo as manutenções dentro dos prazos corretos.

Fonte: Car And Driver Brasil

Foto: Divulgação
COMPARTILHAR