Primeiro trimestre tem recorde nas exportações mas alerta para falta de acordos

25 de Abril de 2017 às 08:00
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Há 56 anos atrás o Brasil exportava seus primeiros veículos. Hoje, em 2017, o primeiro trimestre do ano atingiu um recorde histórico nas exportações. Mas se por um lado o resultado das exportações foi ótimo, o cenário aponta uma grave falta de opções para as fábricas brasileiras, ainda presas a poucos mercados e com dificuldade para fechar novos acordos.

Hoje as fábricas brasileiras de automóveis se encontram com praticamente 50% da sua capacidade produtiva ociosa, o que por si só já gera um grande alerta. As fábricas brasileiras podem produzir cerca de 5,05 milhões de veículos, e o mercado interno só está consumindo algo em torno de 2,05 milhões por ano.

Já nas exportações, apesar do Brasil hoje ter acordo e enviar parte de sua produção para 30 países, a grande maioria vai para os países vizinhos de língua espanhola, principalmente a Argentina (responsável hoje por 67% desse volume de exportação do primeiro trimestre). E até mesmo por conta desse percentual que as exportações geraram recorde, visto que a Argentina está com um crescimento no mercado automotivo novamente, com uma alta de 15,4% em relação ao primeiro trimestre de 2016. Lembrando que o comércio entre os dois países ainda não é livre, impõe relação à valor.

Segundo Paulo Cardamone, diretor da Bright Consulting, para que as fábricas consigam exportar, é necessário acordo de livre comércio, quesito o qual o Brasil ainda não conseguiu evoluir muito. O país continua exportando praticamente para um lugar só, complementou Paulo.

Além dos “Hermanos”, o Brasil tem acordos automotivos com México, Uruguai, Peru e Colômbia. Isso não impede ainda que algumas marcas consigam mandar veículos para outros lugares, principalmente da América Latina, mas a Europa acaba sendo um sonho distante da realidade de nossas exportações.

Hoje somente os tratados fechados com o Peru e Uruguai são de livre comércio, os demais países têm algum tipo de restrição em cotas (como casos de Colômbia e México). Falando de México, ele viveu um grande crescimento de fábricas de carros depois de fechar mais de 40 acordos de exportação nos últimos anos. O Brasil pretende ainda voltar aos antigos tratados com países do Oriente Médio como se tinha anos atrás, assim como expandir novos tratados com países Africanos.

Outros pontos também foram levantados com relação à esse cenário como dificultadores, sendo a instabilidade política do país, a falta de política industrial, alto custo de produção de nossas fábricas, a falta de competitividade da indústria brasileira, entre outros pontos.

Resta agora aguardar qual será a postura do governo brasileiro dentro dos próximos anos para tentar mudar esse quadro.

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Fonte: g1.globo.com/autoesporte

Fotos: G1/divulgação
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