Mobi é a opção mais barata para quem quer descansar o pé esquerdo

04 de Maio de 2017 às 08:00
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A Fiat lançou há pouco tempo sua nova gama de motores FireFly, tanto 1.0 quanto 1.3, da família GSE. Junto à eles, aproveitou para juntar esses motores aos seus câmbios automatizados de 5 marchas Dualogic (que nessa combinação FireFly + automatizado, recebeu o nome de GSR).

A marca italiana foi a pioneira na adoção dos câmbios automatizados em modelos de entrada no Brasil. O câmbio automatizado é mais barato que os automáticos, pois utiliza a mesma estrutura dos manuais mas com atuadores elétricos e hidráulicos que acionam a embreagem e fazem as trocas de marcha. Os câmbios recebiam críticas por serem lentos nas trocas, além dos solavancos sentidos durante a condução. A Chevrolet também usou os automatizados nos seus veículos (Easytronic), mas acabou abandonando na troca pelos automáticos com conversor de torque.

Após esses vários anos, a Fiat não abandonou a transmissão Dualogic, mas sim investiu, foi atualizando e modernizando, dando novas calibragens e programações para se adequar aos mais diversos usos. O resultado é uma transmissão muito mais ágil e inteligente do que as primeiras versões do Dualogic.

A nova transmissão GSR nada mais é que a estrutura completa do Dualogic, mas com nova programação para se adequar aos motores FireFly, que apresentam um parâmetro muito melhor de torque e potência em relação aos motores antigos, o que foi visto pela Fiat como uma chance de melhorar o uso dessa transmissão. Assim como já visto no Uno, a transmissão do Mobi não possui alavanca (substituída por 5 botões no painel), assim como opção de troca de marchas manual através das borboletas atrás do volante.

Já se foi dito diversas vezes pela mídia especializada que toda a linha Mobi deveria ter o motor Firefly 1.0. Esse “motorzinho” conta com 3 cilindros, 6 válvulas e 72/77 cv (gasolina/etanol) e 10,4/10,9 kgfm já aos 3.250 rpm. Como essa entrega de torque é feita logo cedo, colabora para uma condução agradável principalmente na cidade, aproveitando o baixo peso do subcompacto da Fiat. A aposta da marca é de que o câmbio automatizado responda melhor na combinação com esse motor “torcudo”. E realmente essa combinação parece ter sido muito boa, pois a nova programação do câmbio faz com que as trocas de marcha sejam feitas em baixa rotação, aproveitando o torque dele nessas faixas.

Esta pode ser a explicação para uma melhora no consumo urbano em relação ao modelo com o câmbio manual (10,5 km/l contra 10,1 km/l), uma vez que aos 50 km/h a quinta marcha já é engatada. O único “buraco” mais sentido é de primeira para a segunda, mas com incômodo consideravelmente menor do que qualquer outra mudança nos antigos Dualogic. Com pouco mais de pressão no acelerador, ainda se utiliza as marchas mais altas, mas se realmente se exigir muito do acelerador ele irá usar o “kick down” para reduzir de uma a três marchas de uma só vez, jogando o giro do motor lá para cima e dando agilidade ao pequeno carrinho (como no caso de ultrapassagens). Nessas condições o câmbio demora um pouco a voltar para os parâmetros normais, até que o sistema sinta que a pressão no acelerador foi normalizada, entendendo como esse sendo o fim da manobra.

O sistema “creeping” auxilia nas arrancadas, soltando a embreagem assim que se tira o pé do freio, tendo efetividade sem acelerar em subidas de inclinação de até 8%. Acima disso, recomenda-se o uso do acelerador (e até do freio de mão, caso seja necessário em uma ladeira muito íngreme). Nas ladeiras também que o câmbio ganhou destaque nesse casamento, pois ele mantém a segunda ou terceira marcha, de acordo com velocidade e inclinação da mesma (algo sentido pelo acelerômetro instalado no veículo).

Na estrada ele usa constantemente a quinta marcha, perdendo um pouco o embalo em pequenas ladeiras. Mas caso isso aconteça, basta chamar a quarta marcha reduzindo pela borboleta no volante, ou deixe acionado o modo “Sport” de condução, o qual torna as respostas de acelerador e câmbio mais sensíveis, além das trocas mais rápidas. Logicamente, as trocas não são tão rápidas quanto uma mudança manual, nem como num câmbio automatizado de dupla embreagem, mas não deixa a desejar no uso do dia a dia.

Preço? Bem, aí que está o ponto que mais chama atenção no Mobi GSR. Por R$ 44.780 (R$ 4.130 a mais que a versão manual) você leva pra casa o modelo com a comodidade de não ter o pedal de embreagem. Entre os itens de série, estão a direção elétrica com função City, ar-condicionado, painel TFT com computador de bordo, rodas de 14″ com calotas, vidros dianteiros e travas elétricas, além de coluna de direção com regulagem de altura. Pacotes opcionais levam o Mobi GSR aos R$ 49.920, incluindo rodas de liga, faróis de neblina, sensor de estacionamento, retrovisores elétricos, banco do motorista com regulagem de altura e sistema som com Bluetooth.

Mesmo mais completo, seu preço ainda está abaixo do praticado pela concorrência. O VW Up! i-Motion (também automatizado, por R$ 50.668), e os automáticos tradicionais, como o Toyota Etios 1.3 (com câmbio de 4 marchas, por R$ 50.990) e Chevrolet Onix 1.4 (com câmbio de 6 marchas, por R$ 55.890) estão acima de seu preço. Dentro da própria marca ainda existe o Uno Way GSR, com motor 1.3 de 109 cv e preço inicial de R$ 53.830.

Para quem já teve anteriormente um carro automático convencional, não se recomenda o modelo pois o comprador provavelmente não se adaptará. Mas para quem pretende ter seu primeiro carro e quer conhecer como é o mundo de quem não usa o pé esquerdo para dirigir, considere uma ótima opção de compra!

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Fonte: Motor1

Fotos: Fiat/divulgação
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