Veículos que ainda resistem à extinção no Brasil

13 de Outubro de 2017 às 08:00
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As pessoas sempre pedem das montadoras algo que elas não dão: ou é um carro esportivo de baixo custo, ou uma perua de algum modelo muito vendido, modelos com câmbio manual de algum carro que só oferece automático, entre outros. Mas quando a montadora cai no gosto do seu público e lança o que é pedido, nem sempre se torna um sucesso nas vendas, e acaba encalhado nas lojas.

Infelizmente é triste afirmas isso, mas muitos dos carros os quais nós entusiastas gostamos de dirigir estão sendo deixados de lado pela grande maioria dos consumidores, resultando até na sua retirada de produção. Em alguns dos casos, a categoria aos quais os carros se enquadram estão acabando sendo engolidas por outras que estão na “modinha”.

Com uma breve análise do mercado nacional nos últimos anos, estão separados aqui alguns exemplos que ainda estão resistindo bravamente mesmo com uma grande baixa na sua procura:

1- Peruas: Existe até um movimento dos entusiastas, intitulado “Save The Wagons” (Salve as Peruas), mas mesmo assim a cada ano que se passa, as peruas acabam sendo substituídas ainda mais pelos SUV’s. Quer um exemplo prático? Golf Variant! O modelo é o único médio com opção perua em nosso mercado na atualidade, suas vendas são baixas, mas mesmo assim a VW ainda insiste em deixar no mercado para atender o gosto de uma pequena fatia dos seus fãs (mesmo seu número de vendas estando muito abaixo de um SUV compacto, por exemplo). Na verdade, as peruas andam extintas aqui por “Terra Brasilis”, sendo que encontramos poucos modelos como Audi A4 Avant, Mercedes-Benz C Touring, Volvo V60, Subaru Outback, e nas opções mais em conta, encontramos somente a Fiat Palio Weekend e VW SpaceFox (que agonizam cada vez mais nas suas vendas.

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2- Esportivos de baixo custo: Esse foi um nicho pouco explorado nas últimas duas décadas por aqui. Depois dos famosos Gol GTi, Escort XR3, Uno Turbo, Kadett e Corsa GSi, as montadoras acabaram deixando de lado os esportivos de DNA e optaram por esportivos de adesivo. Depois de anos e mais anos de pedidos dos entusiastas automobilísticos que gostam de um carrinho com tempero a mais, as preces foram ouvidas – pelo menos por parte das montadoras francesas. Os hot hatchs lançados nos últimos anos aqui foram ótimos exemplos que ainda podemos ter carros com sangue esportivo e um custo (mesmo que alto) mais acessível. A Renault lançou no nosso mercado o Sandero RS, que ao contrário do seu irmão mais em conta GT-line, traz uma mecânica mais refinada com motor 2.0, câmbio 6 marchas e suspensão recalibrada para o modelo. Por outro lado, a Peugeot apostou no seu motor turbo THP no pequeno 208, trazendo o modelo 208 GT para nosso mercado. E as vendas? Fracas! Mas eles ainda se mantém firmes na gama de oferta das marcas sendo as únicas duas opções mais em conta para quem quer um carro desse nicho.

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3- Sedãs médios com câmbio manual: Não é de hoje que quem procura um sedã médio, até mesmo pelo seu porte e preço, quer que o carro seja manual. Mas ainda há quem prefira um carro assim com câmbio manual. Um exemplo de montadora que resolveu atender o pedido dos fãs uns meses depois do lançamento do seu carro, foi a Honda com o Civic. Ela apostou no motor 2.0 casando com um câmbio manual 6 marchas na versão Sport do sedã (opção que é rara de se achar no mercado). Outro modelo ainda oferecido na configuração manual é o C4 Lounge com motor THP.

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4- Carro popular “pelado”: Apesar de existir a opção, e um dos lançamentos mais atuais do mercado apelar para esse lado em nome de um bom preço, ninguém mais quer saber de carros que não tenham ao menos ar-condicionado, direção assistida e ao menos vidros elétricos na dianteira. O Kwid foi lançado com um preço abaixo inicial dos R$ 30 mil, mas com certeza essa não será a opção mais vendida.

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5- Minivans: Assim como as peruas médias, as minivans também estão perdendo terreno para os SUV’s. Um dos poucos modelos que ainda resistem nesse nicho mais familiar são o C4 Picasso e o Grand Picasso, ambos da Citröen. São modelos espaçosos, modernos e confortáveis, e ainda assim contam com um preço bem atraente para tudo que oferecem. Nas opções mais em conta, vemos a Chevrolet Spin, queridinha dos taxistas e frotistas, e de famílias grandes que não possuem dinheiro suficiente para comprar uma minivan de luxo ou um SUV. Mas alguns modelos estão mudando de categoria para aproveitar do efeito SUV, como é o caso do 3008, que deixou de ser uma minivan crossover para se tornar SUV e alavancar suas vendas.

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6- Hatchs médios: Sim, até eles estão tendo suas vendas afetadas pelos SUV’s. Pra se ter uma ideia da perda de mercado, hoje os 3 principais hatchs médios (Golf, Focus e Cruze Sport6) somados não chegam aos números do aventureiro compacto Honda WR-V. O medo de perder ainda mais mercado é tanto, que a Ford planeja trazer a versão aventureira Active da próxima geração do Focus, e assim reconquistar alguns clientes perdidos para os “mais altinhos”.

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7- Off-road “raiz”: Os off-roads de verdade, aqueles sem muitas frescuras, que tem 4×4 reduzida, entre-eixos curto e carroceria duas portas, estão cada vez mais raros. Fora isso, eles podem encarar tranquilamente atoleiros por conta dos grandes ângulos de entrada e saída. Os modelos que ainda perduram no Brasil nessa configuração são o Troller T4 e o Suzuki Jimny. De resto, não passam de SUV de shopping que dificilmente vão ver lama de verdade nos seus pneuzinhos de asfalto!

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Fonte: Motor1

Fotos: Divulgação
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